sábado, 25 de abril de 2009

restaurante

eu almoço às 7 da noite 
peço um spagheti al sugo... 
“enquanto isso na penitenciária de ohio” 
...pede-se um bacalhau 
“o advogado pede a condicional” 
enquanto isso eu espero o spagheti al sugo 
eu tomo essa cerveja bauhauss 
que gelo 
que demora 
que saco esse canal 
mas chega o spagheti e o bacalhau  
desliga-se a tv 
pra começar a música ao vivo 
só 
sei 
vi 
ver 
se 
for 
com 
vo 
cê

Acción!

a atriz mexicana de sobrancelha grossa
cavalga no deserto de um set americano
que mais parece um oásis do tempo 
repleto de cavalos negros e botas de 
cowboys do ano 2000 e alguma coisa
sentindo o vento denso no rosto
largo e comprimido de aventura
e de tesão de viver perigosamente sem 
medo da morte e das contas do fim 
do mês e chega ao fim  da linha no início 
do penhasco em que a dublê paraguaia 
monta o cavalo negro e escorrega ladeira 
abaixo pensando na aventura que é
não ter plano de saúde.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

terça-feira, 14 de abril de 2009

Refrão n°2

Lá em Santa Teresa

Lá em Santa Teresa           

Lá em Santa Teresa

Lá em Santa Teresa

 

Lá em Santa Teresa

Tem ladeira, tem cerveja,

Tem ladeira, tem certeza?

Que a Teresa era a santa

E não a puta do Catete

Que de noite o mundo quer

Mas de dia não é

Uma linda mulher

Decerto

Ela mora em Santa Teresa

Tem dois filhos,

Talvez um neto,

Quem sabe um feto

Na barriga?

 

Lá em Santa Teresa

Tem ladeira, tem igreja

Onde ela reza, com certeza,

Pro pastor não saber

Que ela sobe o dia inteiro

Que ela desce o dia inteiro

Que ela trepa no banheiro

Com o coveiro do Caju

Lava roupa todo dia

E não tem roupa pra vestir

Mini saia, mini blusa

A calcinha ela não usa

 

Lá em Santa Teresa

Tem ladeira, tem sujeira

Toda segunda-feira

Quando vem o gigolô

Acabar com a brincadeira

E com o sonho do pastor

A Teresa que era santa

Quer ser puta sem ladeira

Quer mudar-se pra semana

Quer viver cheia da grana

Quer andar na areia fofa

Da praia de Copacabana 

sexta-feira, 20 de março de 2009

diálogo entre duas pessoas completamente diferentes

– Você viu Hamlet?

– Vi.

– Gostou?

– Não vou falar.

– Por que não?

– Cala a boca!

– Quê?!!

– Você vai estragar tudo.

– Tudo o quê??

– Ah, sei lá. Tudo que a gente tem.

– Mas a gente não tem nada, maluca.

– Eu sei... mas se você continuar falando a gente vai se odiar pra sempre.

– Como assim?

– A gente vai se odiar antes de ter alguma relação concreta. Você vai me achar uma imbecil por mais que eu não seja. E eu vou te achar um babaca também.

– Por que eu acharia isso de você?

– Por que a gente pensa diferente.

– E desde quando isso é motivo pra duas pessoas se odiarem?

– É que a gente pensa MUITO diferente.

– Você ta pirando.

– Vou te dar um exemplo. Eu odiei o CD novo do Marcelo Camelo e você amou.

– É verdade, mas e daí? Nós temos gostos diferentes, cabeças diferentes. Isso é bom, faz a gente crescer, discutir, argumentar.

– Jura que você não acha isso um problema?

– Juro.

– Ufa. Que bom.

– Agora me diz. O que você achou de Hamlet?

– Odiei.

– Jura...? Engraçado... eu adorei.

– Claro que você adorou.

– Pois é... acho que eu vou nessa. Beijo.

quarta-feira, 18 de março de 2009

mr e mrs brown

ele é encanador e ela é assistente social. juntos tem dois filhos (um casal) a quem deram nomes complicados de origem africana. a filha, mais velha, faz faculdade em algum lugar da inglaterra e usa um penteado esquisito na foto. o filho estuda numa escola interna e gosta de esportes e hip hop.
mr brown odeia alho e por isso mrs brown tempera o feijão enlatado de domingo só com pimenta. tem um gosto horrível. mrs brown é chocólatra.
em maio, eles foram a uma festa. estavam muito bem vestidos. à uma hora da madrugada eles já estavam de volta. trouxeram uns amigos. eles eram pretos e gordos e tinham uma gargalhada gostosa de ouvir.
mr brown pôs um disco na sua vitrola antiga e todos riram e dançaram e fumaram até de manhã. 


http://www.youtube.com/watch?v=Bo-2gVavrFU

segunda-feira, 16 de março de 2009

uma vez eu conheci um garoto tão incrível que eu fiquei horas só ouvindo ele falar, ele tinha uma vida completamente diferente da minha, fiquei muda perto dele, como ele era interessante, era fanático por cinema esloveno, pintava alguns quadros no estúdio onde morava num lugar isolado, me contou que conhece a europa e a ásia e que já foi pra oceania, que foi seqüestrado por um grupo terrorista na república tcheca, e que quase se afogou pegando uma onda na tailândia, eu ouvia com empolgação as suas historias, então ele fez alguma piada que me fez rir até ele me avisar que eu tinha qualquer coisa preta presa no dente, então rimos mais, até que ele parou de repente e me perguntou onde eu estava esse tempo todo, então começamos a nos beijar, e era tão bom, tão bom, tão bom que eu fui embora antes que eu me transformasse de uma hora pra outra na mocinha de um filme americano água com açúcar.

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